Acho que resolvi ir a Ouro Preto porque simplesmente não tinha ido às anteriores, e me fascinavam, e não era tão longe assim... Eu confiava no meu fusquinha 1978 e nele cabiam cinco. A princípio, era um “investimento” da Fotossíntese, mínima agência de fotos que funcionava num prédio da Cinelândia, e realmente, além de mim, também a Vera Sayão e o Masao eram da equipe.
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| Carteira da Fotossíntese, assinada por Bete Bullara, c. 1985 |
E o Celso Oliveira era parceiro de outras aventuras, não ia perder essa... Foi ele que inventou um tal de Bazar Fotográfico, no seu próprio apartamento, em Botafogo, de que eu e a Vera participamos. Enchemos as paredes de fotos e o apartamento de gente, em uma 2ª-feira à noite, e foi um sucesso, pelo menos até que a síndica apareceu injuriada e fechou o tempo e o próprio Bazar...
Éramos todos freelancers. Eu, na verdade, há pouco tempo. Comecei na Bloch (Manchete) em 77, fiquei de 80 a 86 no JB e, seguindo a paixão fotográfica da época, me juntei aos amigos na agência Fotossíntese, a exemplo do Sergio Araujo.
Uma das vantagens é que podia me organizar e botar o pé na estrada. E não havia meio mais prático e barato de chegar a Ouro Preto do que dividir por cinco as despesas da viagem...
Todo este trecho das lembranças é ainda um pouco confuso, mas pode retornar... Certo é que eu tinha um casal de amigos em Tiradentes, MG, cariocas batalhadores que trocaram um perigoso trabalho social na Rocinha pela paz da graciosa cidade mineira, e foi este o destino do primeiro dia de viagem...
Mas nem todos fizeram de fusca esta perna, o Masao foi nos encontrar lá no dia seguinte, sabe-se lá porquê... [Aguinaldo Ramos]
Mas nem todos fizeram de fusca esta perna, o Masao foi nos encontrar lá no dia seguinte, sabe-se lá porquê... [Aguinaldo Ramos]
Naquele tempo a fotografia brasileira era quase uma família. Com o trabalho iniciado por Zeca Araújo e Pedro Vasquez e continuado pelo Firmo, as Semanas Nacionais de Fotografia eram uma espécie de reunião de Natal. Eu (que era um menino) já tinha ido a Fortaleza e Belém e me sentia até meio adotado pela turma do InFoto. Quando cheguei a Ouro Preto Nádia Pellegrino e Angela Magalhães eram minhas irmãs (um pouquinho) mais velhas.
Como lembrou Aguinaldo, nossa ida não foi só uma viagem de partida e chegada. Tínhamos o plano de passar pelas cidades históricas de Minas. Eu também fazia parte da Fotossíntese e acho que por causa de um trabalho fiquei de encontrar a caravana de um fusquinha só lá em Tiradentes.
Para nosso encontro dar certo eu tinha que pegar um ônibus que ia me deixar na entrada da cidade; só que a "entrada" era um ponto da rodovia onde o ônibus passava distante uns 6 km do centro da cidade. Além do mais, o ônibus era noturno e me deixou na "entrada" às 4 e meia da manhã.
Lá fui eu andando no maior escuro, com medo não de lobisomem, mas que o orvalho que eu acreditava cair não fosse o início de uma chuva!
Não me lembro o quanto andei - mas não foi muito - quando vi luzes na minha direção. Isso não era bom. Um carro e eu numa estrada escura. Os faróis já estavam perto e eu achava que era só esperar que ele passasse e eu voltaria à grata companhia de mim mesmo e isso ia acontecer logo, "mas tem que ser logo". E depois pode chover.
O carro passou, freou e deu marcha à ré. O fusquinha, pilotado pelo Aguinaldo, tinha ido me buscar. Quando cheguei à casa tinha uma caminha arrumada pra mim e alguém resmungou no quarto: "Oi, fez boa viagem?". A minha Semana da Fotografia já estava começando com o espírito que sempre levou a gente a se reunir. [Masao Goto Filho]
A minha lembrança desta viagem começa um pouco dolorosa.O carro passou, freou e deu marcha à ré. O fusquinha, pilotado pelo Aguinaldo, tinha ido me buscar. Quando cheguei à casa tinha uma caminha arrumada pra mim e alguém resmungou no quarto: "Oi, fez boa viagem?". A minha Semana da Fotografia já estava começando com o espírito que sempre levou a gente a se reunir. [Masao Goto Filho]
Em 1987, no inicio do ano, ali por volta de fevereiro, eu entrei de uma hora pra outra em uma profunda depressão, tudo que eu comia botava pra fora, enfim, foi um horror.
Ainda bem que eu tinha bons amigos e os mais próximos, tanto fisicamente como espiritualmente, eram a Vera Sayão e o Aguinaldo Ramos.
Trabalhávamos muito nesta época, praticamente tinha freelancer todos os dias. Bom, como ninguém é de ferro, uma ou duas vezes por semana sempre rolava um bom papo, um bom vinho ou mesmo uma cervejinha. É claro que quem bebia mesmo era eu, Vera bebericava um vinho branco, Aguinaldo bebia pouco, pois era muito agoniado.
Sim, vamos pra viagem!... Eu já estava de partida novamente do Rio de Janeiro. A viagem pra mim tinha um gostinho de despedida, tanto da cidade como dos amigos, do Rio, de São Paulo e de Minas também.
A fotografia tem esse poder enorme de juntar as pessoas e amigos com muita facilidade. Todo mundo quer ver o trabalho do outro, dar palpite, dizer que ainda não está bom. E o melhor: ninguém ficava com raiva.
Se o fusca do Aguinaldo falasse ou estivesse conectado à internet, que na época nem existia... As lembranças que tenho do percurso Rio – Ouro Preto são poucas mas certamente são marcantes.
Aguinaldo e Vera foram casados há algum tempo, quando os conheci já não estavam mais juntos. Agora, o que um sabia do outro não era mole... Eu me divertia com a conversa deles, era o tempo inteiro um arengando com o outro. Eu gostava daquilo, a amizade não tinha acabado, estava se renovando.
Tínhamos um roteiro a cumprir. O nosso comandante, que, se me lembro bem era um pouco pão duro, "Aguinaldo Ramos" é quem dava as ordens. Me lembro que fizemos uma foto de todos em São João Del Rei, terra de Tancredo Neves, visitamos o túmulo do presidente, inclusive o Masao estava nesta foto. Eu tenho essa imagem vou demorar um pouco para encontrar, eu só não lembro se foi na ida ou na volta.
Podem crer: eu me lembro bem da foto. Vocês vejam, a foto sempre pode ser um fato... [Celso Oliveira]

3 COMENTÁRIOS:
Caramba, do fundo do baú essa carteira da Fotossíntese, to pasma!! :)
Masao, fico orgulhoso da lembrança, mas curti ainda mais a versão que vc postou no Facebook, e repito aqui:
"Eu fui depois, num ônibus que me deixou a 8 km de Tiradentes (onde vcs estavam pernoitando), de madrugada. Já estava conformado em ser abduzido na estrada onde não se via dois metros adiante quando apareceram as luzes da nave alien voando baixo pela estrada às 5 hs da madrugada. Era o fusquinha pilotado pelo Aguinaldo indo me buscar. Sensacional."
nossa, muito bom esses comentários! Celso, adorei suas histórias, hehe...
muito bom mesmo, vou tentar lembrar de mais coisas, anda tão desmemoriada..só quando leio aqui é que vou relembrando aos poucos, afinal lá se vão 24 anos!
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