segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Mulheres no poder

Não sei se é impressão minha, mas as mulheres brasileiras estão diferentes desde o domingo, 31 de outubro de 2010...
Merecidamente empoderadas, como diriam nos meios acadêmicos... 
Ainda que lhes seja, no Brasil, algo muito custoso: somos um país de pouca representação feminina na política
Esta é uma história longa e lenta, mas tem suas heroínas...

Não há fotografias (nem tinha sido inventada ainda!...) da primeira mulher a exercer o poder executivo no Brasil, a arquiduquesa da Áustria e imperatriz do Brasil, Maria Leopoldina Josefa Carolina (aqui, numa “pré-foto”, uma gravura "realista"). 
Pois, na verdade, foi Leopoldina quem assinou o decreto de Independência do Brasil!  
Exercendo a regência, em Agosto de 1822, durante viagem de D. Pedro I a São Paulo, recebeu notícias de Portugal, de críticas e ameaças a ele e a D. João VI. Em acordo com José Bonifácio de Andrada e Silva, reuniu o Conselho de Estado e assinou, a 2 de setembro de 1822, o decreto de Independência do Brasil. Junto com as notícias, enviou a Pedro I uma carta de José Bonifácio e outra sua, em que adverte: "O pomo está maduro; colhe-o já, senão apodrece". A D. Pedro, às margens do Ipiranga, não restou mais que "Independência ou Morte"...

Já a segunda, tem toda uma vasta coleção de fotos, a Coleção Princesa Isabel!... 
Princesa Isabel em traje de aclamação como regente. 
Autor desconhecido, 1887.

Diga-se de passagem, foi a primeira senadora brasileira, direito de herdeiros do trono a partir dos 25 anos de idade, segundo a constituição imperial brasileira de 1824.

E está ligada a um momento marcante da fotografia brasileira, o registro de sua aclamação, pela terceira vez, como Regente (por viagem de D. Pedro II à Europa), em 1887, feita

 Aclamação da Princesa Isabel como Regente - Marc Ferrez, 1887
por Marc Ferrez na catedral do Rio. 

É considerada a primeira foto com uso de flash de magnésio no Brasil, em equilíbrio com a luz ambiente. 
Note-se que, devido à longa velocidade de exposição, várias pessoas estão “borradas”...


Durante esta última regência, arrematou a luta pela Abolição da Escravatura, em que se empenhara profundamente, ao assinar no Paço Imperial, diante de cerca de 10.000 pessoas, a Lei Áurea, momento em que recebe de José do Patrocínio, um dos maiores abolicionistas, o título de "Princesa Redentora".



Dilma Rousseff - Autor desconhecido, 2010.
Tantos anos depois, desta vez pela vontade soberana do povo brasileiro através de uma eleição absolutamente democrática, outra mulher recebe o poder executivo, agora na já mais que centenária república: Dilma Rousseff.

Espera-se (mas só a História dirá) que, a exemplo de suas longínquas antecessoras,  consiga, a favor do povo brasileiro, resultados tão libertadores, tão redentores quanto os delas...


14 comentários:

Cláudia Versiani disse...

Muito legal seu blog, adorei! Parabéns pelo trabalho!
bjs,
Cláudia

Beatriz Bonfim disse...

Felizmente. É preciso alternância. Estou convencida de que a Dilma (não sou petista) fará um bom governo. Sem essa de mãe, mas do zelo que toda mulher tem por suas crias.

José De Melo Bonilha disse...

O Lula é a mega-sena que a oligarquia ganhou! Não esperava... Como ele não tem apoio militar, pactuou com os ricos para poder governar... A Dilma, igual... Mas Serra me parece pior...

Eduardo Tolipan disse...

Muito bom seu blog, continue , é maravilhoso o seu trabalho de pesquisa.
Forte abraço

Americo Vermelho disse...

A Dilma, assim como Lula, sabe que não pode errar. Se errar, vai demorar muito para um outro semelhante voltar ao centro do poder. Ele, um retirante e operário. Ela, política e mulher.
Agora, se ele é a mega-sena que as oligarquias ganharam eu não sei. Mas sei que, na vida real (quero dizer, fora da vida academica e das mesas de bares), numa democracia, governa-se com quem tem voto no Congresso. Fora isso, é ditadura, onde o Executivo manda e acabou. O Legislativo, assim como o Judiciário, não existem. Como disse (bem) o Guina, entre piores, o melhor possível. Ou, como tambem diriai Churchil, "a democracia é o pior dos regimes: exceto os outros"...

Paulo Vendrami disse...

Guina, parabéns pela revisão histórica do exercício do poder pelas mulheres no Brasil. Sobretudo, acrescentando a visão do olhar do fotógrafo. Abrç. PS. Mas é preciso lembrar que esta mesma mulher, guerrilheira, independente ou apenas discípula de Lula, deve ter em vista os 43% dos votos dados a Serra e pelo menos metade dos nulos, brancos e abstenções, que dá um total de 28.2% (que divididos por 2 dá 14%). Digo metade porque os brancos, nulos e abstenções são responsabilidade de um e outro candidato. Portanto, que a Pres. Dilma esteja de olho nestes 57% de eleitores, ou seja mais de 71 milhões de pessoas. Portanto,Lula, menos; PT, menos... Ninguém é dono do Brasil. Só os brasileiros e as brasielras...

Bandeira disse...

Super!
Depois de me provocar orgamos com o texto histórico/imagens preciosíssimo, me empurras no final a Dilminha!
Estás muito adesista!
Abração,
Band.

Arcoiris No Horizonte disse...

Não conhecia teu blog, mas graças a minha curiosidade aqui estou e colada ficarei de hoje em diante.
Maravilhosa este postagem das mulheres. Vou copiá-lo em meu blog, espere não sofrer nenhuma repressão, pois ainda não conheço as leisdas cópias, mas prometo colocar a fonte
Abraços graciosos
Arcoiris Horizonte

Nina Pontes disse...

Muito bom trabalho Guina. Estou encaminhando prá alguns amigos.
Bj. Nina

MEMÓRIAS CAMINHADAS disse...

Gostei muito de sua homenagem às mulheres!!! Aprendi sobre essa fatia do poder que elas ocuparam e que agora a DILMA,muito justamente vai ocupar, por mais críticas que possamos fazer. Tenho esperança em melhores dias para o povo brasileiro!!!
Seu blog está cada vez melhor!!!! Parabéns, pela escolha das fotos e pelas informações.
Beijos
Márcia Hortência

Anônimo disse...

Sou estrangeira, espanhola-venezuelana, morando há vários anos no Brasil depois de ter morado em outros lugares. Uma das coisas que mais tem me impressionado daqui é o lugar tão desfavorecido da mulher na sociedade, apesar de suas capacidades profissionais e dos lugares que ocupa na sociedade, aparentemente importantes. Por isso, quando surgiu a candidatura da Dilma à presidência, pensei que o Brasil ainda não estava pronto para ter uma mulher presidente e que muito provavelmente ela não iria ganhar. Quando ganhou no primeiro turno, mesmo tendo que passar no segundo, fiquei meio surpresa até compreender que sem a presença e o apoio absoluto do Lula, ela não teria chegado. O que não muda nada o esquema tradicional da necessidade da presença do homem para a mulher ser vista e considerada. Por isso, desde o meu ponto de vista puramente feminino (e não feminista) ainda a vitória não é "da mulher" e do papel que ela ganhou na sociedade. Da perspectiva do espaço ganhado pela mulher na cena pública, acho a presença da Marina Silva muito mais significativa e interessante, porque o lugar que ela está ocupando, ela está conseguindo por ela própria, por ela ser quem é. Seja como for, espero a Dilma fazer um bom governo pelo bem do Brasil e da mulher, porque ainda vamos ter que ouvir aquilo de “o que podia se esperar de uma mulher?”

Chico Aguiar disse...

Interessante, guina, vamos ver somo será...
Abraço

Chico Aguiar

José Fernando disse...

Autor da foto da Dilma= PUXA-SACO DESCONHECIDO.
Desculpa, Guina, não resisti...
Concordo com a anônima venezuelano-espanhola quanto ao machismo. Mais: ele é característica de todas as sociedades ibéricas e ibero-americanas, sem exceção.

Vide a sociedade cubana e a venezuelana, mesmo com revolucionários no governo!

Fernando Bonilha

Aguinaldo Araújo Ramos disse...

Meu caro Bonilha,
não creio que o espaço seja muito útil para protestos e campanhas, o público que acessa o blog é muito limitado (não em qualidade) em número...
Quanto ao crédito da foto, posso lhe dizer que o autor, ao contrário do que vc sugere, é apenas um fotógrafo profissional contratado pelo comando da campanha petista ou, mais provavelmente, pela agência de publicidade contratada, talvez até um não-eleitor da candidata...
Seu nome poderia ser apurado, com algum trabalho, mas não considerei relevante para o contexto e tomei a liberdade de não fazê-lo.
De qq modo, ainda que possa lhe parecer estranho, é apenas um profissional (entre tantos) da fotografia.
Considere que os bajuladores não são necessariamente bons fotógrafos...