Se a História depende da escrita e se a História antes da escrita é chamada de "Pré-História", então o que tivemos na Casa de Rui Barbosa (Rua São Clemente, 134 – Botafogo – Rio de Janeiro) bem poderia ser chamado (com certa liberdade e algum humor) de a “Pré-Imagem” do fotojornalismo brasileiro...
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| Angelo Agostini, por Pires, (?) |
De 15/09 a 17/09/2010, aconteceu lá o seminário “Angelo Agostini – 100 anos depois”, organizado pela historiadora Isabel Lustosa, apresentando uma série de palestras e reflexões sobre este prolífico caricaturista, impressor e, digamos, “cronista visual” ítalo-brasileiro.
Angelo Agostini chegou ao Brasil em 1859, aos 17 anos, aqui vivendo (e até se naturalizou) até a morte, com exceção de curto autoexílio em Paris, por conta de interdita e trágica paixão...
Angelo Agostini chegou ao Brasil em 1859, aos 17 anos, aqui vivendo (e até se naturalizou) até a morte, com exceção de curto autoexílio em Paris, por conta de interdita e trágica paixão...
A exemplo de Raphael Bordalo, por uns tempos concorrente e desafeto, Agostini muitas vezes usou a fotografia como base para desenhos, em um tempo em que limitações técnicas (da fotografia e da imprensa) impossibilitavam a publicação mecânica das fotografias, exigindo a intermediação da xilografia (madeira) ou da litografia (pedra).
Um exemplo, ainda dos seus primeiros anos no Brasil, foi apresentado por Ricardo Salles (História/UniRio). Trata-se da imagem do oficial de um Exército brasileiro condecorado pela atuação na Guerra do Paraguai, na qual Agostini acrescenta ao realista portrait fotográfico o simbolismo heróico de coroas de louro...
Em outros momentos, como destacou Gilberto Maringoni (Comunicação/Cásper Líbero), Agostini transformava sua Revista Illustrada no que seria praticamente um jornal popular de hoje em dia, reproduzindo fielmente as fotografias, e ainda dando crédito ao fotógrafo... É o caso do drama das duas meninas escravas de 12 e 14 anos, que, mesmo resgatadas por populares, vieram a falecer, em 1886, em razão de maus tratos por parte de sua senhora, aliás, moradora do mesmo e nobre bairro de Botafogo, Rio de Janeiro...
Mas, na maior parte de sua obra as fotografias serviram a Agostini como referência genérica para ilustrações alegóricas, como se evidencia na extensa e insistente série, comentada por Lilia Moritz Schwarcz (Antropologia/USP), de caricaturas do imperador Pedro II, de quem costumava debochar através da inversão de sentido dos seus próprios (e variados) retratos formais...
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| Fotos do seminário: Aguinaldo Ramos, 2010. |
Não é ainda, propriamente, fotojornalismo (até, porque a impressão mecânica das fotos pela imprensa só se tornaria realidade na virada do século XX), mas lá já estavam as fotografias, através do traço preciso de Agostini, de Bordalo e de outros, aflorando às periódicas páginas da imprensa brasileira...
Postagem atualizada em 30/10/2012.



