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domingo, 5 de dezembro de 2010

Com a mão na taça: o melhor momento do futebol brasileiro

Não que o Campeonato Brasileiro de cada ano (depende das chances do seu time...) seja desinteressante.
Desta vez, melhor pensar no grau de condensação simbólica que uma fotografia pode adquirir no tempo, este grande solucionador de dúvidas...
É do que trata a ideia de foto síntese, que, improvisando uma definição, seria “a fotografia capaz (para toda uma maioria de observadores) de fazer (ou ser) o resumo, o sumário, a síntese (o símbolo mais compacto possível) de um tema, assunto, evento, período etc”.

Foi o assunto do evento Foto Síntese , da ECO/UFRJ, usando como exemplo o futebol brasileiro. Seu melhor momento, sem medo de errar, é a conquista da taça Jules Rimet, a Copa do Mundo... É nossa, mas, hoje, apenas na memória: foi roubada e derretida em 1984...
Sendo apenas um exercício e o assunto de amplo conhecimento, ao menos para a minha geração, considerei a pesquisa como feita e escolhi logo as fotos sínteses de cada Copa: Bellini levantando a taça, Garrincha garantindo o Bi, Pelé liderando o Tri.

Bellini - s/d, Suécia, 1958
A Copa de 1958 foi a da “superação”. Para o futebol, das lembranças da “tragédia” de 50, do “Maracanazo”. Para o povo, a nação, do “complexo de vira-lata”, que Nelson Rodrigues definiu como “a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo”. 
"Estátua do Bellini" - AR, 2010

O gesto de Bellini, levantando a taça que representa o mundo acima da cabeça do rei da Suécia, sintetiza o momento. E o fez, detalhe, em vez de colocar debaixo do braço e sair, a pedido dos fotógrafos...

Tão marcante, que ao erguerem à frente do Maracanã, no Rio, após a Copa de 62, uma estátua “genérica” aos campeões, o povo logo a nomeou a “Estátua do Bellini”, como conta Ruy Castro, com humor, na revista Brasileiros.



Garrincha contra Chile - s/d, Chile, 1962
Em 1962, caçado implacavelmente nos gramados do Chile, mas driblando todos os obstáculos (principalmente os extracampo, da paixão vulcânica por Elza Soares à expulsão na semifinal), Garrincha foi a peça chave da vitória do Brasil, nesta que foi a Copa do “jeitinho”..

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Capa "Veja na História"

Simbolizando um país que se desenvolvia à base de muita “malandragem”, a genialidade de Garrincha (o “Anjo das Pernas Tortas”, para Vinicius de Moraes) é tão reconhecida que até no futuro se tornou capa de revista...




A Copa de 1970 é a da “qualidade”. A da preparação do time, um tanto militarizada, mas, principalmente, a dos jogadores, o melhor grupo, comprovado em campo, já reunido. Sua eficiência, aliada à paixão do brasileiro, possibilitou à arte do futebol ganhar da tensão política produzida pela ditadura civil militar do golpe de 64. 
Predominou a ufanista "Eu Te Amo Meu Brasil”, de Os Incríveis. 

Pelé foi o craque do time, o Rei, mas sua corte (com ele, na foto, Tostão e Jairzinho) era do mais alto gabarito...    

Aproveitemos para observar um exemplo da composição da imagem como diferencial na escolha. Alguém deixaria de escolher a da esquerda?...
São fotos horizontais, mas costumam receber um corte vertical, para destacar os jogadores.

 
Gol de Pelé - Orlando Abrunhosa, México, 1970
Gol de Pelé - Lemyr Martins, México, 1970





Ora, não há melhor mandato histórico para uma fotografia do que ser copiada (e à mão!), traço definitivo de sua importância social.
Em 2010, a revista digital Sete Fios homenageou as vitórias em Copas com uma série de charges. Com exceção de 58, é o mesmo resultado.
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Bem antes, em 1970, logo após o Tri, os Correios lançaram a série de selos que homenageia a conquista da Jules Rimet, calcadas em fotos (o lance de Garrincha na de 62 é meio estranha...).
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São exemplo que ajudam a corroborar as, no caso, quase intuitivas escolhas destas fotos sínteses.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Foto Síntese na ECO

Filipeta do evento - autor: Fábio Portugal
Com a acolhedora organização de Mathilde Molla, a ECO - Escola de Comunicação - da UFRJ desenvolveu, no período de 03 a 10 de Novembro de 2010, o evento Foto Síntese.



De início, Foto Síntese promoveu uma Oficina Fotográfica, nos dias 3, 4, 8 e 9 de Novembro, com saídas fotográficas de tema livre. É interessante notar que os alunos utilizaram câmeras analógicas, que eles mesmos revelaram os filmes PB e que fizeram, ainda, a ampliação das fotografias no laboratório da escola, uma experiência que dificilmente se repetirá em suas vidas e, aliás, nas nossas: virou História... Com as as fotos editadas, montou-se uma exposição no prédio da Central de Produção Multímidia, no próprio campus da Praia Vermelha.

Início da palestra - Mathilde Molla, 2010
Convidado a encerrar o evento, apresentei uma Palestra baseada em Foto Síntese, recente postagem deste blog, com a minha versão do tema, incluindo a apresentação de novos exemplos. 

Dante Gastaldoni - Mathilde Molla, 2010
No auditório Luiz Fernando Perazzo mais de 60 alunos, a maioria da disciplina Fotojornalismo, ministrada pelo Prof. Dante Gastaldoni, responsável acadêmico pelo evento. 

Além de fazer um apanhado das questões que envolvem as fotos históricas, expliquei meu processo de escolha de fotos sínteses, exemplificando com as relativas às primeiras três Copas do Mundo de futebol ganhas pelo Brasil. 

Geral da palestra - Mathilde Molla, 2010


No final, para a minha mais alta satisfação, não escapei de responder, dado o vivo interesse da garotada, a umas tantas perguntas sobre os percalços e os prazeres da carreira de fotojornalista, a minha e a dos outros... 

Sem dúvida, pelo menos para mim, foi muito divertido, mas o importante mesmo é que tenha sido útil (espero que sim!) aos nossos futuros jornalistas.