terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Registrando "Uma Agenda para a Fotografia"



Se a prática, em si, não faz o fotojornalista, ao menos faz, no fotojornalista, o costume de registrar em fotos a maior parte dos eventos de que participa.
E ainda mais o evento tendo uma temática como esta, "Uma Agenda para a Fotografia", título do seminário sobre "Coleções Fotográficas: acervos, preservação, pesquisa e políticas de acesso", realizado em 30/11 e 01/12/2017 na SFF - Sociedade Fluminense de Fotografia.

Então, aí estão algumas fotos do correr dos dois dias desse encontro, que não resisti à mania, o quase vício, de fotografar, enquanto assistia.

Toninho Machado, presidente da SFF.
Helouise Costa
Solange Lima
Helouise Costa, Marcos Lopes e Solange Lima.
Maurício Vasquez



Mesa: Relato de experiência – A organização do Acervo da Sociedade
Fluminense de Fotografia – Antônio Machado; Marcus Oliveira, Marina
Marins e Teresa Bandeira de Mello e outros.

Zalmir Gonçalvez lembrado no evento.

Foto de encerramento do primeiro dia.

Luiz Baltar


Ricardo Beliel fala sobre sobreviventes do cangaço.
Ricardo Beliel. Luiz Baltar e Luciana Nabuco


Silvana Louzada e Simone Rodrigues
Wilson da Costa

José Guilherme e Wallace

Paulinho Muniz

Marcio Resende Mendonça e Luiz Ferreira.

Registrando a presença em selfie...
Ana Maria Mauad


José Diniz
 Mauricio Lissovsky e Daniel Sosa (ao fundo, Julio Regis).


Nadja Fonseca Peregrino


Joaquim Paiva no detalhe.
Marcia Mello na elegância.
Maria Do Carmo Rainho, Joaquim Paiva e Marcia Mello

Joaquim Paiva apresenta seu acervo.


Toninho Machado fotografando o grupo (onde estou), ao final do evento.


quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Mais "Uma Agenda para a Fotografia"!

Reativando este blog (que, mesmo parado desde 2013, tem estado sempre disponível), republico esta postagem (do Facebook, 27/11/2017), relativo a evento altamente interessante, que certamente demandará ecos significativos, dedicado a todos que têm como prazeroso o tema:

"Nesta semana acontece o evento "Uma Agenda para a Fotografia", na SFF - Sociedade Fluminense de Fotografia.
Trata-se, mais precisamente, do seminário "Coleções Fotográficas: acervos, preservação, pesquisa e políticas de acesso" (vejam o cartaz do evento), que tem, entre outras, a transcendental qualidade de unir amigos do campo profissional, como Ricardo Beliel e Simone Rodrigues, e do campo acadêmico, como, na organização e mediação, Silvana Louzada.
 
O tema é apaixonante e sobre ele creio que posso (e de certa maneira devo) contar um pouco sobre a minha experiência com o material que fui acumulando em todo meu tempo de fotojornalista, desde os anos 1970, e apontar o que significou guardar e conservar (ou não...) este material, sob suas várias formas, do negativo puro e simples aos recortes de jornal ou de revista, e mais os contatos, as cópias etc.
Meu envolvimento com fotojornalismo foi de ordem prática, pois por tantos anos trabalhei nisto, da Editora Bloch, a partir de 1976, com a sua profusão de revistas (Manchete, Fatos & Fotos, Desfile, Amiga, Sétimo Céu, Ele & Ela, Manchete Esportiva etc), e depois o Jornal do Brasil, na maior parte dos anos 1980, a que se seguiram os freelances para sucursais cariocas de revistas e jornais (Veja, IstoÉ, Visão, Folha, Estadão) e, depois, para house-organs de algumas das principais empresas sediadas no Rio de Janeiro (Shell, CSN, Petros, Furnas etc).
Outro tipo de envolvimento começa no início dos anos 2000, quando completei Ciências Sociais (que havia iniciado nos anos 1970), no IFCS/UFRJ. Emendei com a pós-graduação "Fotografia como Instrumento nas Ciências Sociais" [hoje, Fotografia e Imagem], e daí lecionei Comunicação & Imagem, ambas as práticas na Candido Mendes, sob a orientação e convite de Milton Guran.
Esse convívio com a teoria me levou ao mestrado em História Comparada, de novo no IFCS, com o tema "A História bem na Foto: fotojornalistas e a consciência da história", usando como referência os testemunhos de fotojornalistas sobre as suas fotos históricas. Essa dissertação (que, aliás, contou com a orientação informal, mas fundamental, de Ana Maria Mauad), me levou a obter, de vários fotojornalistas, depoimentos gravados em vídeo (também na perspectiva de realizar um documentário), uma memória hoje depositada no Labhoi - UFF.
Também como produto deste mestrado, publiquei toda a série de entrevistas (e as transcrições dos vídeos) numa sucessão de blogs, com o título geral de "A História bem na Foto" (http://ahistoriabemnafoto.blogspot.com.br/).
Ainda inspirado nessa dinâmica, ganhei o prêmio Marc Ferrez 2010, com o projeto "A Foto Histórica (e suas histórias) no Brasil", cujo objetivo era a produção de um livro sobre o tema (os originais, com mais de 200 páginas, foram entregues à Funarte, mas ainda não publicado). Em paralelo, [passei a publicar este] outro blog, em torno das fotos históricas brasileiras, disponível em http://afotohistoricanobrasil.blogspot.com.br/
Na sequência, após uma produção literária de um romance e dois livros de contos, voltei a atenção para meu até então quase intocado acervo fotográfico. Uma parte havia sido bem preservada e, escolhidas as fotos, resultou, em 1999, na exposição "Vi da Lida", no atual espaço Oi Futuro, e, imediatamente, no projeto "Personagem", visando a produção de um livro de fotografias através de leis de incentivo fiscal etc., que, por conta das dificuldades de patrocínio etc, não resultou em nada.
A partir de 2013, mudando o foco, abro minha própria editora, Guina &dita, que publica livros no formato básico e comum. Dentro dela, pretendia acolher a publicação de livros que resumissem a obra de fotojornalistas, algo, muito mal comparando, na linha dos clássicos Photo Poche, mas, com ênfase no depoimento do autor. Fui obrigado a reconhecer as minhas limitações como editor e, além dos meus, publiquei apenas o livro "O direito autoral na comunicação social", de Adalberto Diniz, respeitabilíssimo fotojornalista.
Por outro lado, passei a ter a possibilidade de publicar livros baseados no meu acervo de fotografias, não mais sob a forma ideal de "livros de arte", altamente produzidos, com alta qualidade técnica e de material, e custos altíssimos também, mas utilizando o formato tradicional, 14x21cm, e impressão normal.
Daí, resultaram três livros:
> um de memórias (mas também de reflexão), com histórias de fotos (e reportagens) dos meus tempos de fotojornalista: "A outra face das fotos - Reminiscências e elucubrações sobre a arte e a prática do fotojornalismo" (http://www.guinaedita.com.br/p/4.html);
> a concretização do projeto "Personagem", que, não por acaso, passou a se chamar "Personagem Cabal", contando, em prosa poética, a trajetória de um/a "personagem", que é qualquer um/a presente nas 100 fotos do livro, todas recontextualizadas do fotojornalismo. (http://fotopersonagem.blogspot.com.br/)
> e, ainda em processo de lançamento, "[O dos] Bonecos e [a das] Pretinhas", ou apenas "Bonecos e Pretinhas", com mais de 300 fotografias (retratos), em que as fotos são "envolvidas na ficção de uma novela que as encaminha, comenta ou cita". (https://bonecosepretinhas.blogspot.com.br/)
Bem, tudo isso (queiram perdoar o textão...) para dizer que é fundamental a utilização deste vasto material fotográfico acumulado em tantas fontes de imagens, do particular ao institucional, tanto no contexto historicista quanto no emocional, para simplificar.
Iniciativas nesse sentido são ótimas, como, por exemplo, o recentemente publicado livro "O uso criativo de acervos fotográficos", de Pedro Afonso Vasquez, editado pela Funarte, pelo que sugere de usos interessantes, alguns dos quais, de certa maneira, posso ter, modestamente, antecipado.
Em suma, objetivamente: acredito que seja, até, uma necessidade, para todos os fotojornalistas (em especial os aposentados...), fazer recircular ou, de alguma forma, ver revivido este material que lhes custou tanto ter acumulado. E se puderem, através de Universidade ou algum outro meio voltar a acessar tudo o que ficou (talvez para sempre...) preso nos arquivos das empresas ou outras instituições, ainda melhor!
Fico feliz de ver que alguns fotógrafos fizeram investimentos parecidas ou que vão nessa linha, e rapidamente capturo alguns que podem se interessar também pelo evento: Evandro Teixeira, Alan Marques, José Inacio Parente, além dos que trabalham, pelo prazer da coisa, em torno de fotos históricas, como Fernando Rabelo, Gustavo Stephan, e tantos outros!"

terça-feira, 19 de março de 2013

Passando e repassando...

Dentro da temática e enquanto as pesquisas continuam em andamento, 
apresento aos leitores meu livro 

A outra face das fotos 
Reminiscências e elucubrações sobre a arte e a prática do fotojornalismo

com histórias de fotos dos meus tempos de fotojornalista.
Para saber mais (e para comprar), acesse 

http://www.guinaedita.blogspot.com.br/p/4.html

 



terça-feira, 30 de outubro de 2012

Aula na pós Fotografia - UCAM 2012


Mais uma vez tive o prazer, neste mês de Setembro de 2012, de dar aula no curso de Pós-Graduação Lato Sensu Fotografia - Imagem, Memória e Comunicação, da Universidade Candido Mendes – Rio de Janeiro, coordenado por Andreas Valentin. 
O curso é basicamente o mesmo que foi criado em 2001 por Milton Guran, sob o título "Fotografia como Instrumento de Pesquisa nas Ciências Sociais", e que, com a mudança de foco e de nome, tem hoje alunos de diversas origens e motivações profissionais, tanto fotógrafos e cientistas sociais quanto historiadores e publicitários.

Pós Fotografia UCAM, turma 2012 - foto Aguinaldo Ramos
[com minhas desculpas a quem ficou fora da imagem...]
A aula compreendeu uma espécie de síntese dos temas deste blog A Foto Histórica no Brasil e da série de blogs A História bem na Foto, base da dissertação de mestrado A História bem na Foto: fotojornalistas e a consciência da história, apresentada em Julho de 2008 ao PPGHC – Programa de Pós-Graduação em História Comparada, do IFCS - Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, na UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro.
E, ao mesmo tempo, uma notícia interessante: uma nova linha de pesquisa, relacionada à Imagem e à Fotografia, acaba de ser criada dentro do Programa de Pós-graduação em Sociologia do IUPERJ, ligado à própria UCAM, intitulada "Imagem, Memória Social e Patrimônio Cultural", em mais uma evidência da importância da imagem nos estudos sociais. As inscrições para este Mestrado estão abertas até 20 de Novembro.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

A foto não erótica do corpo feminino

O lado menos espetacular da revolução feminina talvez seja a exposição não erótica do corpo feminino, algo que se tornou bem recebido e mais comum nas fotografias brasileiras na mesma época em que lá nas batalhas culturais do Primeiro Mundo as feministas queimavam sutiãs... 
Topless "protegido" em Ipanema - Aguinaldo Ramos, c. 1982

Aqui no Brasil não houve nada disso e a confusão provocada, nos anos 70, pela tentativa de popularização do "topless", que não deu certo, mostra bem a predominância entre nós de um conservadorismo machista básico, que facilmente se misturava, nas atitudes masculinas, à mais baixa ignorância. Custou belos gestos de despreendimento de algumas mulheres corajosas, atacadas a golpes de punhados de areia em muitas praias do país, a começar pela “avançada” Ipanema.

Índia paraense - George Huebner

Fotos de índias com seios expostos, apesar do quanto alimentavam o voyeurismo, eram aceitas como "objetos antropológicos”, pois, afinal, se tratavam de grupos sociais não integrados à sociedade “civilizada”, tanto que não tinham, até então, expressão própria (no sentido de lhes faltarem meios para construir uma autoimagem). Um bom exemplo está no livro “A fotografia amazônica de George Huebner”, do fotógrafo e pesquisador Andreas Valentin.

Foi pelo viés da maternidade que esta "renaturalização" do corpo feminino se deu, até quanto é possível afirmar isto... E não tanto pelas imagens fotojornalísticas e mais pelo valioso propósito, que dele não passavam de acessório. 

Joel Maia, 1971 - Leila Diniz grávida
O primeiro grande "choque de intimidade feminina explícita" na fotografia brasileira está ligada à “sagrada” imagem da maternidade, ainda que haja poucas santas grávidas no panteão cristão... E foi uma rebelde, em tempos de ditadura, quem (se) descobriu (n)esta causa. Leila Diniz, um tempo depois de todos os asteriscos (mal disfarçados palavrões...) de sua abaladora entrevista ao Pasquim, quando devidamente recolhida em defesa de sua prole (ainda não nascida), na sua naturalidade de fêmea, não estranha a proposta e, solta em seu barrigão, posa para fotos na ilha de Paquetá..

A repórter Maria Helena Malta, em depoimento ao autor, explica porque saiu apenas uma pequena nota: "A revista Claudia só publicou as fotos porque eram, digamos, maternais, e foram misturadas com as histórias de duas mães recentes – Nara Leão e Dina Sfat. (...) É isso: a Leila (hoje tão imitada por mulheres "bem-comportadas", que já dispensaram a bata do maiô e usam biquíni na gravidez) foi uma desbravadora, cuja aura rebelde o nosso Joel foi capaz de eternizar."
Amigas do Peito - Antonio Batalha, Ipanema, 1982

Mas, à época, a partir da mesma Ipanema, mulheres menos famosas não ficaram atrás... Maternalmente satisfeitas, sabiam da necessidade de satisfazer suas crias, e não com leite em pó, embalado em publicidade despudorada. Seus corpos também podiam ser usados numa campanha sempre sabotada pela indústria: a favor da amamentação natural. Assim surgiram as Amigas do Peito, que são, antes de mais nada, amigas dos próprios filhos...
Lucélia Santos e Pedro Neschling - Elisa Ramos, 1982

A fotógrafa Elisa Ramos estava entre elas, fotografando as amigas mas também defendendo a causa, quando aparecia amamentando o filho Rudah (a 2a. à esq., na foto). Uma campanha acalentada também por celebridades, como as que Elisa registrou.

Ângela, Chácara do Céu - Elisa Ramos, 2012
Sendo o assunto de tão continuada utilidade, tantos anos depois, retornou ao tema de forma socialmente mais abrangente, fotografando as mães de uma das maiores favelas do Rio de Janeiro e apresentando lá mesmo, as fotos montada em grandes painéis, na exposição Leite de Mãe, Leite de Vida, uma das ações do programa Mãe de Perto do SESC, aberta até 30 de julho, na Estrada da Independência, Morro do Borel, Tijuca.

Xavante amamentando na aldeia 
William Santos, 1995
Ressalte-se que, influenciado pela espontânea exposição destas mães, um necessário posicionamento dos órgãos de governo, em campanhas e outras iniciativas, também aconteceu.

Extração Manual 1 
William Santos, 2001 (*)
Um bom exemplo é a atenção dada pelas maternidades públicas, como a da UFRJ, a partir da qual um dos seus fotógrafos, William Santos, tem também produzido, desde os anos 90, sucessivas exposições sobre o tema, com o título geral de AmaMentAção.

Mas, os fatos do momento trazem outra vez a questão: será que esta “redoma” da maternidade é realmente o único espaço de não erotização da imagem fotográfica do corpo feminino?...
Recentemente, um novo fenômeno visual ganhou força, o uso do corpo nu como instrumento de luta em causas sociais, econômicas ou políticas, recurso que também é válido para a mera tentativa de atrair atenção, como os inúmeros torcedores “peladões” que invadem campos e quadras europeus...

Mulheres mostram seios em protesto contra Rio+20
Sérgio Moraes, 2012
Pois um dos mais insistentes grupos a utilizar esta arma surgiu na Ucrânia, onde mulheres jovens fazem, de peito aberto e visível, os mais ferrenhos protestos. Custou um pouco, mas a onda já chegou ao Brasil e um grupo de mulheres teve peito de protestar, de seios à mostra, contra a inocuidade da Rio+20 no enfrentamento dos problemas ambientais do mundo.
Chamaram a atenção, mas fica a dúvida: será que ganham respeito, acrescentam valor à causa?... Pois, de imediato (e muitos veriam nisto uma prova da capacidade de absorção dos protestos por parte do sistema), umas das mais bem torneadas manifestante, segundo o colunista Anselmo Goes, foi sondada para posar nua para a revista Playboy...

[ (*) Imagem acrescentada em 27/07/2012 . 
Veja nos Comentários os motivos da  atualização.]

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Histórias subterrâneas do Metrô do Rio


Convite Exposição SUB - CCJF - Rio de Janeiro, 2012
A História tem histórias subterrâneas, nem todas são tão visíveis quanto estas...

É bem o que pode ser visto na exposição SUB, do fotógrafo Marcelo Carnaval, com fotos atuais das instalações e dos usuários do metrô do Rio de Janeiro, aberta no Centro Cultural da Justiça Federal até 1 de Julho de 2012. 







Foto Marcelo Carnaval, expo SUB - CCJF - Rio de Janeiro, 2012
A estética das estruturas é imperativa, é claro. 
Carnaval trata disto muito bem, mas não deixa de integrar a elas as pessoas, que são, evidentemente, os protagonistas. Cristina Chacel, no convite, ao apresentar a exposição, esclarece como o autor consegue tal integração: “A sub-cidade de Carnaval floresceu em gente. (...) É cidade que submerge para emergir em encontros, carnavalizada pelo artista que extrai alma da pedra bruta e brinca de fazer luz”.
Foto Marcelo Carnaval
Expo SUB - CCJF - Rio de Janeiro, 2012 


As imagens de Marcelo Carnaval não só abriram novas percepções estéticas (e até práticas) em relação ao Metrô do Rio, como me provocaram um "choque de memória": tornou-se necessária uma ida aos meus (também subterrâneos) arquivos (caixas e caixas de papel fotográfico e de plástico ondulado, com recortes de revistas e jornais, cartelas de negativos ou slides e fotos copiadas em diversos tamanhos) para a recuperação de uma matéria sobre a inauguração do primeiro trecho do Metrô, que lembrei ter feito para a revista Manchete, no distante ano de 1979...









Não achei justamente a abertura (o título e créditos), mas lá estavam as páginas amarfanhadas, com uma anotação a caneta: “Manchete # 1386”. A edição da revista deu ênfase aos seus interesses da época, com várias fotos de três temas: as instalações do metrô, "elogiadas pelo próprio presidente francês Giscard d'Estaing", a reurbanização da cidade, depois de demoradas obras, e a presença pouco habitual do presidente Ernesto Geisel, em versão quase populista...

Faz-se de tudo, mas lembro que o grande desafio (em termos fotográficos) foi “calibrar” a cor da luz nas fotos de interiores. Era um novo tipo de iluminação (a cada hora lançavam um novo tipo de lâmpada) e, para corresponder à percepção comum (ou, na verdade, às exigências meio neuróticas dos editores, que sempre queriam todas as imagens “equilibradas”), e dadas as limitações da época (o uso de slides, que não permitiam correções posteriores), era necessário fazer a filtragem da luz, corrigir o seu desvio para azul e/ou verde, nem sempre com resultados muito exatos... 

Estação Cinelândia - revista Manchete - abril, 1979 - foto Aguinaldo Ramos 


Um problema, para a revista, semelhante ao do desfile de Carnaval (o outro, não o nosso fotógrafo...), cujas luzes também precisavam ser corrigidas. Lembro qualquer coisa de usar uma combinação dos filtros magenta e amarelo (20% de um, 30% de outro, por aí), tanto em um quanto no outro caso. 
Visor prismático
Capuchão
Ou, quando não disponível o filtro exato, apelava-se para um recorte redondo da folha de gelatina correspondente, que era aplicado artesanalmente entre o filtro UV (comum) e a lente da câmera 35mm, à época uma Nikon F2 de visor prismático removível (a “cabeça” da câmera), à qual se podia acoplar um “capuchão” para facilitar o enquadramento da imagem por cima, ao estilo das Rollei Flex e Hasselblads.



O difícil da História (quando falamos daquela em que se está) é vê-la em movimento... 
A lembrança dos primórdios ou a observação do contemporâneo, no Metrô do Rio, não pode desviar nossa atenção do que acontece agora e do que se pode imaginar que vem por aí, basta apenas projetar para o futuro algumas das fotos de Marcelo Carnaval. 


Foto Marcelo Carnaval - Expo SUB - CCJF - Rio de Janeiro, 2012




Fato é que, desde a “invenção” da ligação direta da Linha 2 com a Linha 1 na Central, a óbvia proposta de um metrô em rede foi desprezada. Pelo que está acontecendo na operação (as paradas e os riscos) e pelas obras de extensão que estão sendo feitas (a emenda de uma falsa Linha 4 a partir da estação Ipanema), esta desconfiguração do Metrô, segundo especialistas, será conhecida no futuro como um grande erro histórico. 
Foto Marcelo Carnaval - Expo SUB - CCJF - Rio de Janeiro, 2012



Os que tomaram estas decisões inconsequentes têm esta vantagem: quando (e se, é claro) a História confirmar a previsão de um Metrô cada vez mais angustiante e insuportável, já não estarão mais no poder...   

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Viagem a um encontro histórico da Fotografia brasileira Ouro Preto, 1987

Se é por uma boa e divertida causa, reabrem-se as atividades do blog
A Foto Histórica (e suas histórias) no Brasil,
que, por algumas postagens, tentará recuperar histórias de cinco fotógrafos cariocas 
(Aguinaldo Ramos, Ana Paula Romeiro, Celso Oliveira, Masao Goto Filho e Vera Sayão)
numa viagem a um grande encontro fotográfico,
a VI Semana Nacional de Fotografia - INFoto, em Ouro Preto, 1987
durante uma semana, 16 a 22 de Agosto, de domingo a domingo.
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Durante a década de 1980, a fotografia brasileira recebeu o precioso estímulo
 da atuação do INFoto, setor da Funarte dedicada ao setor.
Baseado no Rio de Janeiro, em salas do Museu Nacional de Belas Artes,
promoveu importantes eventos de alcance e repercussão nacional.
Dos mais importantes, as Semanas da Fotografia, a cada ano da década,
em cidades de todas as regiões do país.
A maior e mais importante, certamente, a de Ouro Preto, 1987.
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E este evento, entre muitos registros, tem a sua "foto histórica", 
aquela em que todos os que participam querem se ver representados.
Foto L C Felizardo
  Esta foto é o ápice, mas até lá (e depois também)
houve um longo (mas sempre prazeroso) caminho...
Leia nas  páginas ao lado  as nossas 

Lembranças da VI Semana Nacional de Fotografia - INFoto

Ouro Preto, 1987

um descompromissado exercício memorialista, 
versões particulares desta grande aventura da Fotografia brasileira.
 

E depois,
se quiser participar da viagem,
volte aqui
e faça seus comentários!...
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